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Oposição venezuelana é violentamente reprimida

por Carlos Hernández (26/10/2016)

Com exceção de Caracas, o dia foi de violência na Venezuela, com grupos civis chavistas se aliando às forças de segurança para intimidar e atacar manifestantes oposicionistas.

“Chegamos a um acordo para criar um comitê conjunto para assegurar que todas as manifestações políticas nos próximos dias possam ocorrer em um clima de paz”.

Esse foi o porta-voz da oposição, Chúo Torrealba, durante seu agora infame anúncio de diálogo no Vaticano, meras 48 horas atrás. Ao que parece, no entanto, o escopo desse comitê conjunto foi limitado a Caracas: nesta quarta, o resto do país viu um espasmo de violência política como não víamos desde 2014.

As notícias estão chegando com abundância e rapidez. Até agora, é isso que temos sobre “o interior”:

Táchira

Desde cedo os humores se exaltaram nesse notório foco de resistência andina. As manifestações em San Cristóbal renderam o que, neste ponto, se tornou a imagem icônica do 26 de outubro:

“Atira em mim, porque estou com fome”, o manifestante grita, bem diante da cara do policial. Eis um vídeo intenso.

A violência começou pouco depois, quando tupamaros (gangues armadas pró-governo) saíram às ruas para reprimir manifestantes com a ajuda da polícia. Os eventos tiveram uma escalada e mais de 30 feridos já foram confirmados.

Uma tendência preocupante tem sido a maneira como coletivos fortemente armados — essencialmente, paramilitares esquerdistas pró-governo — vêm agindo de forma coordenada com a polícia uniformizada e a Guarda Nacional na repressão aos protestos.

Não acredita em mim? Então assista esse vídeo:

O governador de Táchira, Vielma Mora, não perdeu tempo em nos lembrar por que se tornou um figura odiada por muitos:

Mérida

aqui uma matéria especial sobre Mérida. Mas cumpre observar que um confronto entre policiais e estudantes resultou em um carro queimado e nada menos que 50 manifestantes feridos até o momento.

Pobre senhora. Ela provavelmente acreditou em Chúo quando ele disse que a manifestação seria pacífica.

Maracaibo

Parece que a coisa foi especialmente feia em Maracaibo, onde a violência foi perpetrada com munição letal.

Não há muita informação sobre Maracaibo, mas parece que foi o mesmo modus operandi dos outros estados. Civis pró-governo armados, não, isso é elegante demais, “chavistas malandros” estavam reprimindo manifestantes com armas de fogo. 5 feridos no mínimo.

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Cumaná

Na capital oriental, 21 pessoas foram detidas, o maior número de qualquer localidade. O site El Pitazo tem uma profunda cobertura cobre Cumaná.

Novamente, veja a óbvia concertação entre a polícia de choque e grupos armados chavistas.

Carabobo

Manifestantes mascarados (encapuchados) cortaram o tráfego na rodovia central — que é chave e liga Barquisimeto a Valência e Caracas — usando a agora quase folclórica técnica de barricadas com pneus queimados.

Guárico

5 manifestantes presos. Sem muitos detalhes disponíveis.

Margarita

Em Margarita, os manifestantes foram diretamente para aquela estátua nova e ultra-vulgar de Chávez.

A estátua estava fortemente protegida por guardas nacionais — as prioridades dessa gente são claras. Os manifestantes não conseguiram derrubar a estátua hoje — mas, realisticamente, é uma questão de quando, não se.

Barinas

Em Barinas, as balas de borracha (perdigones) estavam sendo atiradas nos rostos de pessoas, a curta distância. Foi exatamente assim que a estudante Geraldine Moreno foi morta em 2014.

E isso é apenas o que podemos encontrar em uma rápida olhada em sites de notícia.

No geral, parece ter havido algum nível de violência e repressão em todo lugar em que a oposição se reuniu, com exceção de Caracas.

Carlos Hernández

Mora em Guayana, estado venezuelano de Bolívar. É economista e tecladista de uma banda de metal progressivo. Este post saiu inicialmente no Caracas Chronicles.