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A heterodoxia repetida

por Caio Vioto (18/12/2015)

Nelson Barbosa na Fazenda evidencia que Dilma não tem a menor preocupação com o equilíbrio fiscal.

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, participa do Fórum Dialoga Brasil Interconselhos (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

 

Joaquim Levy, ainda que com pouca autonomia, passava um mínimo de credibilidade, principalmente por vir de fora do governo.

Nelson Barbosa é da cota pessoal de Dilma e um dos articuladores da nova matriz econômica, aquela que reeditou, de forma mais atabalhoada ainda, o desenvolvimentismo da Era Vargas e de grande parte da Ditadura Militar. Sua ascensão só demonstra que o governo não tem e nunca teve compromisso com qualquer “ajuste” (na prática, apenas aumentaram impostos, alegando gastos “incortáveis”).

A terceira troca na pasta da Fazenda em um ano mostra que o governo abandonou definitivamente o legado do Plano Real e continuará insistindo na heterodoxia econômica.

Apesar de ter vencido politicamente com a decisão do STF acerca do impeachment, o governo se mostra incapaz de reagir e opta por “soluções” repetidas.

Talvez a própria incapacidade do governo seja uma vitória muito maior para a oposição e represente mais desgaste político do que a abertura de um processo de impeachment.

Às vezes, algumas coisas precisam se esgotar totalmente, por elas mesmas.

Caio Vioto

Mestre e Doutorando em História pela UNESP.