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Se Sibá Machado não existisse, nós não conseguiríamos inventá-lo

por Daniel Lopes (04/08/2015)

Sibá é o petista ideal para concorrer à presidência da república em 2018

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Todo dia é um péssimo dia para o não-sou-petista-mas. Não bastasse — para se manter na ficção de que o PT está mais para uma versão brasileira do Partido Trabalhista britânico do que para uma folclórica organização criminosa de terceiro mundo com registro partidário — ter que “contextualizar” os assaltos petistas, o não-sou-petista-mas ainda tem que lidar com Sibá Machado.

Ontem mesmo, quando da prisão de José Dirceu, Sibá – que, diabos, nem pode ser desconsiderado como apenas um entre tantos deputados petistas, por ser nada menos que o líder do partido na Câmara – disse que o evento foi uma “aberração” orquestrada por um juiz que “faz show”, “trabalha com suposições” e persegue o PT.

Em abril, quando o preso foi João Vaccari, Sibá o defendeu da tribuna da Câmara. “Não aceitamos as acusações que foram apresentadas”, ele comunicou à imprensa. “Não tem nada contra Vaccari. Absolutamente nada.”

Em março, após as gigantescas manifestações de rua contra a presidente Dilma, o líder do PT escreveu que talvez “a CIA esteja coordenando a campanha pelo enfraquecimento dos governos ‘não alinhados’, tal como fizeram para instalar as ditaduras militar (sic) nos anos 60”.

Sibá Machado é o contrário de todo o projeto de adequação ao século 21 que um dia o PT pode ter tido. Em 2015, ao invés de representar um PT que almejasse mea culpa e a superação de um passado de corrupção, um PT que fosse amigo da justiça, um PT lúcido, não bolivariano, consciente das imensas dificuldades nacionais, Sibá é a cara de um partido analfabeto, mal-educado, arrogante, boçal, paranoico.

O único PT que Sibá Machado não representa, até onde sabemos, é o PT corrupto. Isso, parece, já é o máximo que podemos esperar de um petista. Luiz Inácio, por exemplo, se a Lava Jato seguir seu curso natural, só concorrerá em 2018 a líder de pavilhão. Por isso defendo que Sibá seja o próximo candidato do partido à presidência da república.

Percorrendo o Brasil de cima a baixo, Sibá terá muito tempo e palanque para esclarecer a população sobre como o atoleiro do Brasil não é culpa das políticas do seu partido, mas dos inimigos internos da pátria, que se opõem ao petismo no Congresso ou nas ruas, provavelmente aliados ao inimigo externo.

Sibá poderá colocar a mão no fogo por José Dirceu, ainda que até lá este tenha sido condenado no petrolão. Ora, Sibá atualmente põe a mão no fogo por um Dirceu judicialmente decretado corrupto no mensalão.

Entendo que Sibá é a figura perfeita para combinar a abobrinha de que o PT está disposto a combater a corrupção com os ataques a magistrados que combatem a corrupção. Entre os trejeitos de um José Guimarães com seu estilão de sindicalista cumprindo a agenda do dia e a cara de choro de oprimida de Maria do Rosário, Sibá com frequência fala de maneira arfante, arregalando os olhos, sempre com convicção inabalável. Sibá Machado é um indignado moral.

Ademais, Sibá não é branco, tem base no Acre e nasceu no Piauí. Vamos encarar: depois de eleger seu primeiro presidente operário e sua primeira presidente mulher, já está mais do que na hora do país eleger seu primeiro presidente negro nordestino-nortista. Seria simbólico, e a elite pensante brasileira, execradora da meritocracia como um construto de coxinhas privilegiados, adora um simbolismo.

Se hoje Sibá Machado deprime o não-sou-petista-mas, em 2018 a espécie verá que ele é a única faísca capaz de reacender a militância. E militância acesa é do que o não-sou-petista-mas mais gosta. A adaptação será rápida.

Daniel Lopes

Editor da Amálgama.

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